sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Eis aqui o homem,

de Keith B. McMullin

Aos homens do passado veio a tempo
O sacerdócio que recebeu o nome de Aarão.
Por meio dos levitas, sacerdotes e profetas,
Ele serviu para abençoar os filhos de Deus.
Então, veio o Salvador do mundo
E procurou por aquele chamado João,
Para ser batizado pelo mesmo poder
Dando início à aurora da salvação.
Em dias recentes, este mesmo poder
Foi novamente restaurado na Terra,
Para que todas as verdades do evangelho
Pudessem despertar na alma das pessoas.
Sacerdócio Aarônico, verdade sublime,
Vem em preparação —
Para que, por meio do Filho Amado de Deus
Possamos alcançar a redenção!

E aquele que ministra tais poderes —
Não pode ser chamado de rapaz.
Com o manto do sacerdócio sobre os ombros,
Dizemos dele: “Eis aqui o homem!”

Salvador, Redentor de minha alma,

de Orson F. Whitney
Salvador, Redentor de minha alma,
Cuja mão poderosa me curou,
Cujo poder maravilhoso me ergueu
e encheu com doçura minha amarga taça!
Que língua pode expressar minha gratidão,
Ó gracioso Deus de Israel.
Nunca poderei pagar-Te, ó Senhor,
Mas posso amar-Te. Tua pura palavra
não tem sido meu único prazer,
minha alegria de dia e meu sonho à noite?
Portanto, que meus lábios o proclamem ainda,
e que toda a minha vida reflita a Ti.

Mortalidade, (trecho)

de William Knox







Oh, porque deve o espírito do mortal se orgulhar?
Como um meteoro fugaz, uma nuvem ligeira a passar,
Como o quebrar da onda  como o relâmpago que fulgura,
Passa o homem da vida para seu descanso na sepultura. 

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Não Te Amo,

de Almeida Garret


Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n'alma – tenho a calma,
A calma – do jazigo.
Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida – nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Pois nascí nunca vi Amor,

de Nuno Fernandes Torneol


Pois nací nunca vi Amor,
e ouço del sempre falar.
Pero sei que me quer matar,
mais rogarei a mia senhor
que me mostr'aquel matador,
ou que m'ampare del melhor.

Pero nunca lh'eu fige ren
por que m'el haja de matar;
mais quer'eu mia senhor rogar,
polo gran med'en que me ten,
que me mostr'aquel matador,
ou que m'ampare del melhor.

Nunca me lh'eu ampararei,
se m'ela del non amparar;
mais quer'eu mia senhor rogar,
polo gran medo que del hei,
que mi amostr'aquel matador,
ou que mi ampare del melhor.

E pois Amor ha sobre mí
de me matar tan gran poder,
e eu non o posso veer,
rogarei mia senhor assí
que mi amostr'aquel matador,
ou que mi ampare del melhor.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Zion,

de Eliza R. Snow, a poetisa de Sião

Não penses que ao unir-te a Sião
Teus problemas vão terminar,
Que apenas prazer e distração
Hás de lá encontrar.

Não, pois entrarás na fornalha ardente
Para toda a impureza purgar.
Só o crisol e a chama quente
Podem o ouro refinar.

Não penses, ao unir-te a Sião,
Que os santos nada têm a fazer
Além de dar-te atenção
E teus problemas resolver.

Não, os justos vão-se esforçando
Para o reino edificar;
Sem cessar estão trabalhando
Para Israel coligar.

Gethsemane,

de Ella Wheeler Wilcox

Na dourada juventude, quando o mundo parece
Uma terra onde sempre é verão, cheia de cânticos e alegria,
Quando a alma é feliz e o coração despreocupado,
E não há nenhuma sombra escurecendo a visão.


Não o sabemos, mas ali existe
Em algum lugar, escondido sob o céu noturno
Um jardim que todos precisamos divisar —

O jardim do Getsêmani. . .

Seguindo por sendas escuras, cruzando riachos desconhecidos,
Sobre os quais nossos sonhos desfeitos construíram uma ponte;

Por trás dos anos obscurecidos pelo esquecimento,
Além da grande fonte salgada de lágrimas,
Está o jardim. Por mais que nos esforcemos,
Não poderemos desviar-nos dele.

Todos os caminhos que existiram ou que virão a existir
Passam pelo Getsêmani.

citado por Thomas S. Monson

domingo, 31 de outubro de 2010

Quando a Barreira eu Cruzar,

de Tennyson

O Pôr-do-sol e a estrela vésper,
E um claro chamado para mim!
Que não haja lamentos quando
a barreira eu passar,
E partir para o mar. (...)

O crepúsculo e o sino vespertino,
E depois disso a escuridão!
Mas que não haja tristeza na despedida,
Quando eu embarcar desta vida;

Pois embora de nossa esfera do
Tempo e Espaço
A correnteza venha para longe a me levar;
Espero ver meu Mestre face a face
Quando a barreira eu cruzar.

citado por Thomas S. Monson

domingo, 11 de julho de 2010

Meu Desejo,

de Álvares de Azevedo


Meu desejo? era ser a luva branca
Que essa tua gentil mãozinha aperta:
A camélia que murcha no teu seio,
O anjo que por te ver do céu deserta....

Meu desejo? era ser o sapatinho
Que teu mimoso pé no baile encerra....
A esperança que sonhas no futuro,
As saudades que tens aqui na terra....

Meu desejo? era ser o cortinado
Que não conta os mistérios do teu leito;
Era de teu colar de negra seda
Ser a cruz com que dormes sobre o peito.

Meu desejo? era ser o teu espelho
Que mais bela te vê quando deslaças
Do baile as roupas de escomilha e flores
E mira-te amoroso as nuas graças!

Meu desejo? era ser desse teu leito
De cambraia o lençol, o travesseiro
Com que velas o seio, onde repousas,
Solto o cabelo, o rosto feiticeiro....

Meu desejo? era ser a voz da terra
Que da estrela do céu ouvisse amor!
Ser o amante que sonhas, que desejas
Nas cismas encantadas de languor.













Poética,

de Manuel Bandeira

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.